Os preços de hotéis no Google deixaram de aparecer esta semana numa nova área dos resultados de pesquisa da União Europeia, após alterações da empresa para cumprir a Lei dos Mercados Digitais. Os viajantes continuam a encontrar tarifas através de sites de reservas, do Google Maps e da pesquisa de hotéis do Google.
O painel de fornecedores passa a funcionar como diretório
A página redesenhada separa as plataformas de reservas dos hotéis, companhias aéreas e restaurantes, mas limita as ferramentas disponíveis no painel dos fornecedores.
A ficha de um hotel pode mostrar o nome, o site, a morada e o número de telefone. Nesse painel, não é possível indicar datas de viagem, ver tarifas em tempo real nem usar filtros descritivos, como “económico” ou “boutique”.
O Google criou esta área separada depois de fornecedores do setor das viagens alegarem que mudanças anteriores, feitas ao abrigo da Lei dos Mercados Digitais, enviavam mais visitantes para plataformas de reservas. O formato previsto deveria usar informação atualizada recebida por fluxos de dados, mas a versão lançada na Europa não inclui esses dados.
Os sites de reservas continuam a ter uma área própria acima das fichas de fornecedores. Ainda não foi estabelecido de forma independente quais as ferramentas de compra que permanecem nessa secção após a reformulação desta semana.
Onde os preços de hotéis no Google ainda aparecem
As tarifas dos quartos continuam visíveis no Google Maps e no serviço específico de pesquisa de hotéis da empresa.
Os viajantes também podem recorrer ao painel separado de plataformas de reservas que surge nos resultados gerais da pesquisa. Ou seja, os preços deixaram de estar na ficha centrada no hotel, mas não desapareceram dos serviços do Google.
A alteração acrescenta um passo a quem começa por uma pesquisa ampla, como o nome de uma cidade seguido de “hotel”. Em vez de confirmar a disponibilidade no painel do fornecedor, terá de abrir outro serviço do Google, usar uma plataforma de reservas ou visitar o site do alojamento.
Prazo para o envio autónomo de tarifas termina a 30 de setembro
A partir de 30 de setembro, os hotéis terão de fornecer as próprias tarifas através do Google Hotel Center ou de um parceiro de ligação aprovado, caso queiram que os preços sejam usados na publicidade do Google.
O Google deixará de obter essas tarifas junto de fontes terceiras. A mudança abrange anúncios de hotéis e campanhas Performance Max, mas não afeta as listagens gratuitas nos resultados de pesquisa por causa deste prazo específico.
Os hotéis e as suas agências terão de manter o fluxo de dados e confirmar que o preço recebido pelo Google corresponde ao do motor de reservas do alojamento. O Google não indicou onde a tarifa enviada diretamente pelo hotel aparecerá na Europa após o prazo.
A alteração operacional não repõe preços em tempo real no painel restrito de fornecedores. Um alojamento pode concluir o trabalho exigido para o fluxo de dados e continuar a apresentar ali apenas o nome, os contactos e o site.
Google aponta perdas de tráfego no conflito com a UE
O Google afirma que as alterações anteriores de cumprimento das regras reduziram em até 30% os cliques gratuitos para reservas diretas junto de fornecedores europeus de viagens.
A empresa também testou resultados de hotéis mais simplificados na Alemanha, Bélgica e Estónia. Diz que os hotéis perderam mais de 10% do tráfego durante esse teste, enquanto o tráfego para plataformas de reservas se manteve estável.
Estes números foram divulgados pelo Google e não foram verificados de forma independente. Ainda não há uma medição externa que mostre como o atual formato afeta hotéis, sites de reservas ou o comportamento dos viajantes.
A empresa contesta a pressão regulatória depois de a UE lhe ter aplicado uma coima de 460 milhões de euros em julho e concedido 60 dias para cumprir as exigências. O Google defende que limitar o painel de viagens torna a pesquisa menos útil para os utilizadores europeus.
Viajantes devem comparar a mesma estadia em vários canais
Os viajantes devem encarar uma ficha de fornecedor sem preço como uma entrada de diretório, e não como sinal de que o hotel está esgotado.
Para comparar uma estadia, podem introduzir as datas no Google Maps, no serviço de pesquisa de hotéis ou numa plataforma de reservas e, depois, consultar o site do próprio hotel. A comparação deve abranger o mesmo tipo de quarto, as mesmas datas, condições de pagamento e regras de cancelamento, pois estes elementos podem variar entre ofertas.
O prazo de 30 de setembro diz respeito aos fluxos de dados usados na publicidade de hotéis, não às reservas já existentes. Não é necessário reservar antes dessa data, mas os viajantes poderão notar mudanças no local onde aparecem as tarifas anunciadas depois dela.
As restantes ferramentas de viagens do Google também variam consoante a região. Quando adicionou ao AI Mode o acompanhamento de preços de voos, preços em pontos e reservas de hotéis, os utilizadores do Espaço Económico Europeu ficaram excluídos das duas primeiras funcionalidades, enquanto a função de reserva continuou limitada aos Estados Unidos.



